sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

SUPER mercado

A gente entra e, sempre que estamos com aquela pressa, nunca achamos a prateleira de azeitonas e afins. Olhar corrido e nervosismo. Aí a gente vê aquela silhueta abençoada com o aventalzinho do posso ajudar? Salvação.

- Gentileza, sabe onde estão as azeitonas?

A nobre criatura, sem desviar o olhar da sua atenciosa remarcação de preços ou sei lá o que, responde, quase que num sussurro:

- O senhor já olhou na repartição de frios?

Ou ela é uma anta ou me comparava a uma. Como assim, se já olhei na repartição de frios?

A situação: Se eu, na correria que eu estava, buscava por azeitonas, supõe-se, no mínimo que eu procure primeiro na sessão de frios, ou então, que eu estava a fim de levar um papinho. Mas eu, educado:

-Já.

-Hum. Se não está lá, provavelmente não tem mais.

Como assim provavelmente? Ela não está ali pra ajudar?

-Você não pode verificar pra mim, por favor?

Ela vai. Fica. Depois volta.

-É que agora mudamos senhor. Desculpe. As azeitonas ficam agora na sessão de vinhos.

Visualiza aí: Eu, ali parado, feito um 2 de paus, vendo a azeitona entalar na garganta. Viro as costas, ainda agradeço e vou saindo. O pior de tudo é ouvir por detrás:

-Eu hem? Pede azeitonas e depois sai sem levar. Êta povinho brasileiro!

É osso!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

simples assim


A gente tá sempre acreditando que o amanhã vai ser melhor, que as coisas serão diferentes, que as portas vão se abrir....
Final de ano então, nem se fala.

O ano seguinte é sempre a data certa pra se começar a dieta, pedir perdão, voltar a igreja, parar de beber, fazer planos, acreditar nesses planos...impressionante.

Nessa época, o céu deve ficar de pernas pro ar com tanta promessa, tanto pedido...

E a história acaba se repetindo. Passa o dia 1º, a promessa se estende para o pós carnaval e depois...o ano continua da mesma forma, afinal, já se passou tanto tempo do início do ano que é mais fácil esperar pelo ano que vem.

Poxa! Acho que tudo poderia ser diferente prá muita gente se, realmente, essas pessoas quisessem essa diferença. Porque esperar o depois? Ser feliz, pode até não parecer, mas é coisa mais simples que exite. O segredo é único: escolha.

A gente escolhe ser ou não feliz. Tudo tem apenas 2 caminhos. É só escolher por qual passar.

As vezes sofremos porque somos egoístas, vingativos, invejosos.

Certa vez li um email que falava exatamente disso. Se o leite derramar na sua roupa pela manhã, você pode escolher limpar o leite rindo da situação, ou explodir todos os palavrões e sair puto para o trabalho, o que, provavelmente, acabará com o restante do seu dia.

Escolha ser feliz. Tente fazer as pessoas a sua volta sentirem isso em você. Quebre o gelo, sorria e dê bom dia, respeite o espaço dos outros, respeite o planeta que você vive, saiba dividir, ajudar sem esperar nada em troca, perdoe de verdade os erros dos outros, viva intensamente o seu amor, não deixe passar as oportunidades, elas podem ser únicas.

Aprenda conviver socialmente. aprenda a respeitar os mais velhos, peça licença e por favor, não abuse da boa vontade dos outros, tente entender os motivos antes de sair explodindo por aí... Procure ser amado, faça com que as pessoas adimirem e gostem de você.

Preocupe mais com o próximo, invista de verdade nas suas amizades e no seu amor. Valorize mais as coisas preciosas da vida: ver as estrelas, adimirar a lua, respirar ar puro, curtir os momentos em família.Respeite seus pais. Respeite a vida, as plantas, os animais.

Faça coisas que te aproximem de Deus.

Não seja preconceituoso. Preocupe mais com sua saúde e menos com seu corpo.

Seja gentil e educado. Não grite. Observe as pessoas que te amam e as valorizes mais. E por último, pare de achar que todos estão contra você. Na maioria das vezes es eles querem apenas seu bem.

Com certeza, se agir assim, o seu ano não precisará de promessas pra ser um ano bom. E você, pode acreditar, vai viver muito mais e melhor!

Procure, Faça e Seja Feliz sempre! Isso é possível.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

metamorfose

...um minuto por vez...
...uma vez por minuto...
...tempo correndo, correndo com o tempo, vivendo, envelhecendo...
...trocando as penas, criando as asas e saíndo do casulo...
...de lagarta a borboleta...
...um minuto por vez...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pra ser feliz basta apenas....

Embora muitos digam "casa de ferreiro, espeto de pau", Gerimundo sabia que, se ele quisesse, podia fazer diferente. Mudar as coisas...não todas elas, mas algumas, as mais próximas, as que, muitas vezes, dependiam só dele.
Então, ele levantava as 5h da manhã, fazia seu cozido, dava ração pros bichos e saia com a cangaia nas costas.
-Olha o cuzcuz!
Todo dia era assim. Todo dia era igual. Ao final do dia a féria podia ser contada em algumas poucas moedas que eram revertidas em igredientes do cozido, ração dos bichos e mais cuzcuz.
A vida não era fácil! Mas, e daí? Dava pra levar numa boa.
Gerimundo era um homem feliz. Havia os que diziam que não. Mas ele sabia que era sim. Tinha tudo que precisava e, o que precisava era apenas de comida, um lugar seco para dormir e um teto para abrigá-lo da chuva, caso houvesse...
Na cabeça das pessoas, Gerimundo era sofredor, não tinha onde cair morto...mas todo mundo se esquece que morto pode cair em qualquer lugar e , depois, quando se está morto isso já não faz a mínima diferença.
Gerimundo não era casado. De vez enquando, quando restava uma ou duas moedas, ele se dava o luxo de passar uma noite no barranquinho, uma casa de tolerância que havia na cidade. E foi lá que ele conheceu Germunda.
Foi tido como preto, pobre e burro! Mas ele nem ligava. Nunca ligou. Por isso era feliz.
Casou-se com Germunda mesmo ela sendo da vida, ganhou uma ajudante na fabricação de cuzcuz e foi muito feliz. Não teve filhos. Mas entendia que se, um dia, Deus quisesse, ele teria.
Teve burro, cachorro e alguns ratos intrusos no porão. Era suficiente.
Enquanto as pessoas se engalfinhavam pelo poder, dinheiro, o mais e mais, ele ganhava seu tempo sendo feliz, assim como Deus queria.
O tempo não brincava. Passava dia a dia, gosta a gota e, por isso, era importante vivê-lo. E ele fazia isso muito bem. Ele e Germunda.
O motivo de tanta alegria? Era fácil prá ele responder: todo mundo pode ser, basta entender que todo mundo tem apenas dois pés e que para protegê-los precisamos, apenas, de um par de sapatos.
Ele entendia. Ele era feliz e sabia como ser. Ele Era Gerimundo, simples, comendo cozido e vendendo cuzcuz. Simplesmente.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Diálogo, fofoca e pecado!

-Menina....logo a Maria? Se dizia a maior santinha...
-Procê vê. Donde a gente menos espera é que a coisa alastra.
-Deus do céu! E os pais dela? Agora eu quero ver a banca do cumpadre Manel cair de vez. Vivia dizendo que filha dele casa tudo moça...
-Moça, hum. Só se for Moça da vida.
-Menina, tô é besta! Ave Maria.
-O povo tá até falando (faz sina de cruz), que Deus me perdoe, que é de homi casado.
-Vige Santíssima! Casado? Quem será o sem vergonha?
-Olhe Dona Cotinha, eu não sô de fofocá, mas tenho cá prá mim que isso é coisa do Tonho da padaria.
-Do Tonho?
-Sei não, mas outro dia, cedim, quando eu já ia botá as roupa pra secar no varal, vi, sem querer, o Tonho saindo da casa da Maria. Eu vi bem rápido, mas sabe que, agora analisando, tenho uma leve lembrança de ter visto a calça dele meio aberta?
-Vige! Se fô verdade a casa vai cair. Virginia não é de deixar barato! Na feira ela apronta o maior barraco só por causa do erro na balança...imagine isso!
-Pior que é. Quero só vê a cara daquele safado. Homi é tudo igual mesmo. Por isso num casei.
-É Lucinda, mas não podemo esquecê que a Maria...também é chegadinha numa linguiça assada!(vê o menino ouvindo)...sai daqui minino! Num pode ouvi essas coisa de adulto!
(O menino sai pisando duro)
-Mas o mundo tá mesmo é pirdido!
-Também, com aquela saia que mais parece um cinto e mal tapa o glútio...bota qualquer homi doido...
-Que isso Lucinda! Pelamordedeus! Seja verdadeira....aquele corpo esquisito...num sei o que os homi vê ali...
-Há...ela é jeitadinha...Em vista da Virgínia ela é miss. hã...e cumprade Manel falando da castidade da filha...hahahaha
-Mas e o padre? Já soube do aconticido? tem que excomungá!
-Então senta minha filha! Dizem que o padre também tá envolvido...
-O padre? Sagrado coração!
-Pois é minina. Desse jeito, daqui a pouco ir na igreja vai se tornar perigoso.
(sinal da cruz) (as duas) (e o menino que continua escondido atrás da outra porta)
-Sabe duma coisa minina, inda bem que a gente fica na nossa e num se importa com a vida dos outros...mas será que é verdade mesmo essa do padre?
-Se é! Tá todo mundo comentando....e como dizia minha finada avó (sinal da cruz), que Deus a tenha num bom lugar, onde a fumaça há fogo.
-Jesus sacramentado! Tamo precisando é benzê!
-É! Mas dexa eu ir que o tempo urge e tenho muita coisa prá fazê.
-Então tá! Qualquer coisa que souber me conta tá. Não que eu seja mexeriqueira, mas é bom a gente tá atento com essas questãs sociais, afinal somo da comunidade!
-Claro comadre, claro. então inté.
...
-Mãe!
-Fala Joãozinho...
-O que tem demais a Maria gostá de linguiça?
-Minino, num te falei prá pará de escutá conversa de adulto!
-Mas linguiça é pecado?
-Claro que não!
-Então qual o problema da Maria gostá de linguiça?
-Ai minino! certas linguiças são pecado sim.
-As que eu comi então eu tenho que confessá, mãe?
-Não minino. Depende da linguiça...
-E como a sinhora sabe que linguiça que é pecado?
-Ora minino...a vida ensina...e para com essa conversa atravessada, ora bolas!
-A Sinhora já comeu linguiça que é pecado?
-Claro que não!
-Então como a sinhora sabe?
-(sina da cruz), misericórdia minino! Me respeite.
-Mas então linguiça é pecado grave.
-É. A partir de agora é. Toda linguiça. E chega de falá. Vai se aprontá prá escola.
-Tá. Posso confessá pro padre mãe?
-Claro...confessa sim....n..Não!!! Não pode!
-Mas eu pequei mãe.
-Eu te libero Joãozinho...reza 25 ave Marias e tá perdoado.
-E nunca mais vô comer linguiça?
-Ai...é. Nunca mais.
-Eu gostava...
-Mas não pode mais. Agora vai...
-Tá bom. Tchau mãe.
-Tchau! Ufa...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

cotidiano

-Oi
-Oi
-Sabe me dizer se o planalto já passou?
-Hum....o planalto é qual?
-2211
-Ah! um vermelho?
-É!
-Hum...passou sim.
-O B ne?
-Hum...não sei. Mas que passou um vermelho, 2211, isso passou...
-Ai. Você não viu a letra?
-Até vi, mas não me lembro mais.
-Tem muito tempo?
-Hum...uns 3 minutos.
-Como três minutos? Eu tô aqui a 10.
-Hum...então foi mais.
-Tá. Obrigada!
-De nada...você mora onde?
-(cara de "como assim?") - No Planalto...
-Hum...e trabalha por aqui?
-Sim.
-Eu também.
-Hunrum.
-Você trabalha onde?
-(cara de "que saco") - próximo a pampulha, na rua de trás.
-Hum...eu também!
-Hunrum...
-Tá calor né?
-É.
-Odeio calor.
-Eu também.
-E você trabalha com o que?
-(cadê a droga desse ônibus?) - papéis.
-Eu também. É um saco trabalhar com papéis. Fico louco prá tirar férias. Você tirar férias por agora?
-No fim do ano.
-Tá chegando então (tapinha no braço) - vai viajar?
-(irritação total, em especial pelo tapinha no braço) - não sei.
-Hum...
(Desvio de olhar)
-Eu esse ano fui prá Espírito Santo. Já ouviu falar?
-(cara de "como assim?") - já
-É ótimo né? Quero ir lá de novo.
-A tá! (cara de "aproveita e se afoga")
-Nó...tá calor mesmo.
-...
-Você tem horas aí?
-5 e 38
-Esse meu ônibus também demora demais. Mas não é prá menos. O governo só pensa em arrecadar impostos, e nós, pobres trabalhadores, ficamos aí, jogados, dependendo da boa vontade dos motoristas. Essa política. Você tem algum partido?
-Não sou de me envolver.
-Pois devia. Se todo mundo se envolvesse as coisas seriam diferentes. Somos nós que escolhemos nosso representante e, se escolhemos mal, pagamos por isso.
-Sei.
-Tá tudo muito difícil. Os preços pela hora da morte, passagens mais caras, impostos e mais impostos...Desse jeito não dá. Temos que vender almoço prá comprar a janta, enquanto eles, lá na cúpula se divertem às nossas custas...e às suas custas também. Não adianta se omitir.
-É...
-A gente tem que fazer a mudança. Me filiei ao PCU. As pessoas são honestas e tem visão.
-Sei...
-É bom você mudar a opinião porque senão vai continuar esperando ônibus que atrasa e etc...você é casado?
-Sou.
-Filhos?
- Dois.
-Então aí piora. Se não tomar atitude meu filho, nem deus resolve.
-...
-...
-Todo o dia você pega esse ônibus aqui?
-Até hoje, sim.
-Olha, que bom! Eu também pego. É bom que a gente vai conversando e nem vê a hora passar. Falando nisso, meu ônibus. Até amanhã amigo.
-(cara de "o que mais falta acontecer?) - Hã...ah, claro! Até. (Ufa)
(30 minutos)
(ônibus...lotado)
-Com licença.
-Quer que segure sua maleta?
-Ah, claro. Obrigado!
-Não há de quê. Demorou o ônibus né? Você mora onde?
-(cara de "falta de paciência") - Moro aqui mesmo. Vou descer no próximo ponto. (De novo não vai dar)
-Então até amanhã.
-Af. Até.
(preciso de um carro urgente!)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mulher, mais que um molde de revista


Cansei de ter a "consciência doída".

Li numa matéria da revista TPM que emagrecer, muitas vezes, faz parte de uma paranóica ansiedade exacerbada de nossas mentes...e não é que é verdade?

Viver se controlando o tempo todo, regrando, substituindo o velho prazer de saborear um prato pelas medidas calóricas que ele contém, vendo no prato, um monstro ao invéz do bife, regrando a quantidade de alimento a ingerir...e mesmo assim, quando fala-se de "alimento", refere-se a folha combinada a comprimidos de emagrecimento. Tudo contendo apenas o "sabor"hipotético de estar dentro do padrão de beleza estabelecido pela mídia.

Fala sério!

Seu namorado tá afim de uma gata gostosa por fora e totalmente sem gosto e recheio por dentro? Sem querer, é nisso que estamos nos tornando...

A obsessão de estar magra e "perfeita" é tão grande que esquecemos de apenas sermos nós mesmas, com desejos, vontades, prazeres, inteligência e auto-controle. Na maioria das vezes, o conceito de beleza é tão realçado pelo sacrifío que, a paranóia extrapola os limites da "beleza" e nos faz reféns de padrões estipulados, podendo nos levar até mesmo a doenças.

Calma lá garota!

Ser bela sim. Mas o conceito "beleza" deve estar atrelado ao conceito "saúde", assim como, olhar-se no espelho tem que estar ligado ao prazer e alegria de comer bem. É claro que, ninguém deve se empaturrar de batata frita e hamburguer todos os dias mas, de vez enquando, sair da regra é até saudável e não faz mal a ninguém.

Isso tem que mudar! Não devemos viver exclusivamente na intenção de ter um corpo escultural. Malhar até se acabar, comer folha sem sal (afinal, prá muitos, o sal incha), e ter como a melhor aliada a balança e a fita métrica sem tempo prá mais nada. Fala sério! Além de paranóico, esse exagero com a palavra "emagrecer" é bem chato.

É por isso que temos um mundo hoje recheado de "gostosas" patéticas e burras que, não sabem, sequer, o real significado da palavra "autenticidade", afinal, perder tempo lendo um livro, batendo papo com os amigos e sendo elas mesmas, pode causar um terrível protuberância na região abdominal e isso é inadmissível!

Chega de viver em função dos olhos alheios. Vamos ser felizes, sem culpa, vivendo sem paranóia e saudavelmente. A vida não tá nem aí pra você e nem pra nossas gorduras ou nossos desprazeres...ela tá simplesmente passando. E nós, envelhecendo.

E é bom que mudemos esse conceito rápido para que, amanhã, nossas lembranças não sejam apenas registros de uma vida fútil, em função da balança e da fita métrica!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Armindo, Gertrudes e nós

Todo o dia é dia de aprender e, a gente aprende!
Seu Armindo acreditava, qundo criança, que um dias as coisas seriam diferentes, que a violência iria diminuir, que não existira maldade no coração dos homens. Seu Armindo aprendeu.

Dona Gertrudes acreditava que seu filho um dia ia voltar prá pedir perdão, que seu pomar ia render-lhe dinheiro além de frutos e que um dia, quem sabe, ganharia a vida sendo atriz dos filmes de chachada. Ela também aprendeu.

Todo mundo é um Seu Armindo e Uma Dona Gertrudes. Para alguns, com letras maiúsculas e prósperas, escritas e neon, para outros, com letras montadas de jornal recortado. Mas todo mundo aprende.

Um dia, que seja perto ou longe, a gente vai perceber que aquilo em que acreditávamos era verdadeiro e palpável, ou então, efêmero e lendário. Mas de jeito ou de outro, todo mundo aprende, sai da toca, encara a vida.

Embora uns tentem viver com a crença, no fundo no fundo, todos se deparam com a realidade. Seja boa, seja má. É assim. A vida e seu curso. O curso da vida, que traçamos em cima de um traço ja forçado no papel.

Dona Gertrudes não sabia que toda garota quando pequena, quer ser atriz. Ela não conseguiu. Mas até que chegou perto. Fez parte do cenário real da vida. Uma luta constante, uma espera sem fim, um esperança que a mantinha de pé. Seu filho nunca voltou, mas ela, sempre interpretava seu papel.

E seu Armindo? Ele continua aí, no coração e na mente de muitos Armindos, Joãos, Marias e Paulos...continua acreditando...e aprendendo. O mundo nunca mudou, a violência não diminuiu mas, ele aprendeu e está sempre aprendendo. O importante é que ele nunca desiste. Soma sua vida às suas experiências.

Aprendendo e reaprendendo. Acreditando sem acreditar e vendo sem enxergar. A vida a seu curso. Cursando e ensinando. E vale porque, Seu Armindo e Dona Gertrudes já estão ficando escolados e nós? Já estamos aprendendo...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Receita de bolo, barriga vazia e picadeiro!

Aquele coco ralado deu o toque que faltava na refeição feita de ovo batido e milharina em pó. Mesmo assim, comendo a broa, definia os pensamentos e tentava encaixar, como massa de bolo, essa vida que estava aos pedaços, ralada como côco, sovada como o pão.

Nem sempre que abria a boca era com gosto de quem gosta da comida que se come. As vezes, come-se por comer, prá tentar não morrer aos poucos, ou porque entucham a comida na gente, guela abaixo...e sem água. Uma comida que, apesar do sal e do tempero, é de fato amarga e sem sabor.

Vó Dita sempre dizia que aquele dissabor cotidiano era consequencia daquela vida bandida que levava e das desaventuras que a vida lhe reservou como igrediente. A tv apimentava aquela relação entre a comida e a indigestão. Tiro, óbito, roubo de galinhas e roubo da própria vida. Politicagem mesquinha, estúpida e corrupta.

Não tem sal e pimenta que tire aquele gosto amargo da boca. Um gosto de quem vive num mundo desigual em tudo, até na divisão dos grãos e da cevada. O jeito era, de vez enquando, bater aquela mistura no liquidificador e tomar num gole só, que Vó Dita dizia, era prá se manter de pé. Ficar de olhos abertos...prá ver a banda passar... é só isso mesmo que a gente faz. Entra ano e sai ano, entra banda e sai banda, e a gente apenas vê passar.

De qualquer jeito, a qualquer custo, as saídas são poucas mesmo. As vezes nem tem. Se parar prá tentar mudar alguma coisa, fica sozinho, e o que é pior, com fome. A tv fala que a gente, cidadão de bem, que trabalha, ganha 10 e paga 9 de imposto, é que deve tomar atitude e fazer algo prá mudar o cenário. Podem até ter razão, mas razão não mata fome, não compra o grão e nem o sal. E como quando a barriga range não tem honra que consiga resolver, a gente faz como Vó Dita dizia: "Boca fechada não entra mosquito". Se bem que, um mosquitinho de vez enquando poderia até variar o cardápio e equilibrar o organismo com proteína.

Mas até que a gente resolva adotar o mosquito, a gente vai levando a vida no comes e bebes sem gosto mesmo. Pelo menos, por algum tempo, eles terão platéia pra assistir a banda deles tocando e passando...com direito a coxia, holofote e picadeiro!



quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Formigas, Cigarras e a ideologia de Cazuza!

Deixo essa palavras para um eu assim, tão intolerante e sem idéias como o meu. É sobre a vaca que entrou no meu caminho e me fez ficar todo lambuzado de sorvete...
As vezes é assim.
A gente respira por respirar e fala só por falar, mas no fundo, lá bem no fundinho, a gente só quer observar...ver passar, ver e passar.

Se eu pudesse eu iria sim de encontro àquele garoto que queria mudar o mundo, o mundo de Cazuza. Mas hoje, talvez, ele tenha desistido, ou então, quem sabe, tenham quebrado o muro a marretadas, que nem fazem com a vida gente. Dura vida!
Sem lenço e sem documento, apenas vivendo por viver e respirando por respirar. A gente é obrigado a tudo. A votar em quem não quer, a fazer o que condena, a respeitar mesmo querendo chutar o balde.

Formigas e cigarras também são assim. Mundo de desigualdades e injustiças. Uns trabalham para outros dormirem...outros dormem e até se cansam, e nem cantam.

Um salário que "mal dá pro leite e prá fralda", um dia após o outro na esperança de que as coisas vão melhorar...até que um dia se percebe que nosso heróis morreram de overdose e, pior que isso, o poder tá cheio de inimigo...

Resta ainda o terço prá rezar e o ar, mesmo que escasso, prá respirar.
...Amém!...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Um dia, egoístamente!


Hoje quero dormir....apenas dormir. Acordar, se acordar.

Não quero abrir e-mails, atender telefone...não quero conversar, responder perguntas e nem ouvir histórias chatas, contadas por gente chata também...


Hoje quero sentir e pensar que no mundo só eu existo. Quero viver egoístamente e ponto. Quero falar quando eu quiser, olhar quando eu quiser, comer, gritar, arrotar, coçar o nariz, deitar, falar sozinho, não dar lugar no ônibus para os velhos e grávidas, saquear o supermercado, não tomar banho e se tomar, sair pelado, sem toalha...olhar pela janela e ver que posso fazer o que quiser....


Hoje eu quero oue tudo se dane. Que o mar afogue peixes e o ar surpreenda os pássaros.

Quanto as guerras, não me importo. Hoje não me importo com nada. Quero viver egoístamente, sem notícias, sem políticas, sem igreja, sem relatórios, polícia....


Hoje eu quero ser eu de verdade, sem me importar com sensibilidade alheia, mágoas ou chateações dos outros. Quero dizer verdade e ser sincero. Quero correr atras do rabo, que nem cachorro...e não me importar com o que os outros vão dizer.


Hoje, quero me livrar das responsabilidades, das burocracias. Hoje quero andar pelado, fazer o que quiser. Quero me entupir de doces e rir da gordura localizada e da celulite.
Hoje quero usar verde limão com roxo e rosa, quero andar descalço ou de havaianas, quero mergulhar a mão no alpiste e enfiar arame na tomada. Quero sentar no cacto, tomar leite com manga, andar de costas, virar o chinelo, imitar os outros, dar "hoje não" e rolar na grama, na lama, na areia...sujar de terra e correr no mato.


Hoje não quero pentear o cabelo, nem descolorir os pelos, nem depilar, nem escovar os dentes. Hoje quero ser assim...do jeito que eu quero.


Hoje quero viver a preguiça....


Quero pular na cachoeira enquanto o mundo morre nos problemas, nadar de bruços sem saber nadar, pular corda, andar na gangorra, colar o ponteiro do carro...Hoje quero viver egoístamente....


Hoje quero dar as costas pro colesterol, comer gordura e refrigerante...


Hoje quero sentar na grama e rir dos caramujos, das minhocas e das lesmas....hoje quero ser assim...apenas eu, sem medo, sem conceitos, sem mentiras, sem justificativas, sem ofensas....


Quero comer batata frita com sorvete e katchup sem ter que explicar que é bom. Quero rebolar na frente do espelho, ouvir som alto e pular de para-quedas....sem o para-quedas.


Quero viver assim....hoje...apenas eu, naturalmente, sem receio e sem vaidade. Viver de verdade. Eu não me importo. Faço qualquer coisa pra viver esse dia...apenas eu, egoístamente!


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Modernidade antepassada...


Já parou p pensar em como vivemos sendo bombardeados pelo abuso consumista a que nos submetemos?

Parou de existir o simples...tudo agora é composto...e pode esquecer, sua tv 29", com certeza, amanhã será ultrapassada e pré histórica. Foi assim com a máquina de escrever, com o bob's e com a maquina fotográfica.

O que antes era tão moderno se fez ultrapassado num piscar de olhos...o pior é que pobre é foda, quando consegue juntar uma graninha no porquinho prá comprar o tão sonhado objeto, ele já saiu de moda e aí começa tudo outra vez...ciclo a ciclo.

Como dizia meu avô, que Deus o tenha, quem nasce prá lagartixa nunca chega a jacaré! E se chegar, o que é um raro acontecimento, vira sapato ou bolsa de alguma madame por aí...


Esse maldito consumismo é uma praga que empreguina em nossa pele e que não conseguimos nos livrar dele. Também, como a gente pode esquecer da comida com tanto hamburguer espalhado em cartazes? Não dá...


A gente até pensa com a razão, as vezes, mas de fato somos igual a peixe, batendo no vidro. Modess, por exemplo, tem apenas uma utilidade...mas na tv ele aparece de várias maneiras, cada vez mais absorvente, perfumado e fino...tão fino e tão absorvente na tela que a gente acredita que é verdade. Vai falar que você nunca comprou algum produto esperando que o resultado fosse igual, ou pelo menos parecido com o que a propaganda mostra...?


Eu, por exemplo, perdi a conta de quantos litros de shampoo pra alisar, cachear, brilhar eu já usei. E o negócio é tão do mal que, mesmo a gente vendo que não resolve, a gente continua comprando e comprando e....até que um dia amanhecemos com o cabelo verde...


Mas fala sério! Se não fosse a propaganda não alimentaríamos o sonho de ser, e se não alimentássemos seríamos um monte de parasitas sem objetivos e metas...concorda?

Pode até achar que tenho a mente pequena mas, no fundo sabe que eu tenho razão...e sabe também que está mais que inserido nesse mundo consumista, dependente da tecnologia e "enviseirado" pela bela propaganda que mostra um modess tão potente em absorção que até a calça branca fica intacta. Essa do modess me impressiona...


Mas vamos deixar filosofias de lado e assumir logo: consumistas, alienados e felizes...pelo menos não precisamos ficar esfregando graveto na pedra prá fazer fogo!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

só mais um dia.

7:00, sono, despertador, mais sono, saco. Levantar, escova de dente, pasta, água..geladaaa! Banho, pensamento, água cai comigo encostada na parede...e cai..e cai... toalha, frio, guarda roupas, roupa, tédio, espelho...maldito espelho. Preciso emagrecer.
Um gole de café, uma fatia de pão, outro gole de café, mais kilos prá minha coleção. Tchau mãe. Ai! minha marmita. Marmita na sacola, sacola na bolsa. Agora sim. Tchau mãe.
Ponto, 30 minutos. Ônibus, aperto, conversa, cumprimentos, sinal, caminhada até o serviço, moço do jornal super, idiotas assoviando. Devia ter vindo de rasteirinha!
Escadas, degraus. Bom dia! Cartão de ponto. Elevador...quebrado. Escada. Afff!
Abre janelas, liga pc, leva marmita pra copa, enche a garrafinha de água. Fofocas, conversas fiadas...é bom, distrai.
Sentar, digitar, ver emails, navegar na net, resolver questões, ouvir chatices, aguentar gente chata que pensa que íntimo, rir, ficar puta, torcer prá sexta chegar, tomar cafezinho, conversar mais fiado. Almoço. Papo, cartão, sol, chocolate, risos, papos, ver roupas, ir no EPA, cartão, café, digitar, falar no msn, rir, trabalhar mais um pouco, café da tarde, rir mais um pouco, falar bobagem. 5:00. Cartão, boa tarde, até amanhã.
Caminhada até o ponto, correr prá pegar o ônibus, perder o ônibus. 40 minutos. Devia ter mesmo vindo de rasteirinha...Aperto, sinal. Mãe, tô chegando.Tirar sapatos, café, pão, banho, novela...mais novelas, relaxar, msn, novela. Sono, boa noit...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A evolução que faz a diferença!


Hoje acordei inspiradíssima e assim, super "raciocinante".

Tava pensando aqui, como a gente roda, roda e volta para o mesmo lugar...constantemente...deve ser por isso que o mundo é uma bola. Faz sentido!

Desde a pré história o homem vem se desenvolvendo ou, pelo menos, achando estar evoluindo...mas, ao pensar e analisar as pessoas, e isso me inclui, eu percebo, cada vez mais, que alienar-se em maquinas automáticas e consumo idiota tem o mesmo sentido que comer com as mãos e não saber falar.
Prá que falar? Hoje o msn, orkut, e-mail falam por você. Comunicar-se tornou complicado e imbecil ao mesmo tempo. Tudo, na verdade é assim. A cultura no geral é assim...martelam na sua cabeça uma coisa que depois é descartada facilmente.

Desde a primeira série primária somos treinados a dizer e escrever certo. P antes disso, B antes daquilo, regras, pontuação, acentos, e depois, aceleramos na informatica e substituímos tudo, cortamos tudo. E não é só isso, ao mesmo tempo que cortamos os artigos e quase a palavra inteira na comunicação informatizada, acrescentamos palavras que nem nos pertencem mas, são um tanto quanto, sofisticadas, dão um up no texto.

Êta que complicar é coma gente mesmo...e vamos girando e inventando...aumentando, dificultando e depois modificando prá facilitar. Povinho difícil e complicado esse tal homo sapiens.

Bicho é que é feliz! Desde que nasce traça seu objetivo, comer, dormir, doprmir e comer. E tá sempre feliz, balançando o rabo. Sem essa de stress, depressão, mau-humor. A gente não. Haja lua prá nos aguentar e nos guiar "humorísticamente". Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco vai ser preciso a intervenção do sol e dos outros astros prá nos aguentar.

A gente muda e muda e quanto mais muda mais precisamos mudar. Nossa fúteis preocupações sempre aí, ajudando nas mudanças. Se engorda, vai de diet prá emagrecer, se emagrece vai de ligth prá manter; se o cabelo é bom vai de dread, se é ruim vai de prancha; o negócio é mudar, complicar prá ter com o que se preocupar.

Chego a conclusão que somos nada mais que um bando de gente atoa procurando algo prá fazer...e se não acha, a gente simplesmente inventa!

Viver feliz? Que isso? Que objetivo idiota esse. Ninguém é feliz assim do jeito que é, sem preocupar com cabelo, roupa, português, corpo. Que loucura!

Damos mais atenção a um tom-sur-tom que ao frio que nos exige roupa. Dane-se o frio! o importante é estar na moda.

Ah! Que evoluídos nos somos! Impressionante! Evoluídos nas cordas da marionete!

Fazer o que né? Ou nos encaixamos ou viveremos frustrados. Que loucura! Daqui a pouco vamos estar preocupados com as cores que devem combinar dentro da geladeira...aí o negócio será organizar a geladeira pelo tom da clorofila....da mais clara prá mais escura...e na próxima estação, organizar pelo tom de vermelhos, começando pelo tomate e terminando na beterraba!

terça-feira, 24 de julho de 2007

De cá, buscando meu "lá"


Nada como um dia após o outro!
Pode ser um probleminha ou um do tamanho de um bonde, como diria minha avó, o tempo cura tudo. "Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe..."
Não tem como a gente estar preparado para as rasteiras e comemorações, mas o fato é que, mesmo sendo perigoso, arriscar ainda é o mais certo a fazer. Isso! Subir na corda, achar o topo, arriscar o salto, uma hora dessas, cedo ou tarde, a gente acaba chegando lá. Seja lá no norte, seja lá no sul...Cada um de nós tem um "lá" prá alcansar, para atingir...e os "lás" da gente são sempre, a nosso ver, mais importantes e mais difíceis que os "lás" do outro. Mas o fato é, lá é sempre lá e, quer prá José, quer prá Maria, ele sempre estará na espectativa de que o alcancemos.
As vezes, prá não dizer muitas, a gente escorrega daqui, quebra um braço acolá, mas o importante é nunca desistir...até porque, o percurso vale muito a pena. É! Vale pela caminhada, os momentos de boa conversa, o sorriso e o choro, as broncas e, tudo regado a um bom café da tarde.
Perder, nem sempre tem o sentido que lhé é dado à palavra. Muitas vezes significa subir um degrau, avançar um passo, estar mais perto do "lá" que buscamos. E, não pense você que o tempo é nosso inimigo e que está passando rápido e levando nossa energia a ponto de vermos, cada vez mais distante o nosso lá...a idade só nos faz mais experientes, mais fortes, mais firmes, mais maduros. E é assim que temos que pensar.
Cair sim! Desistir jamais!
Se o nosso dia de comemorar pelo "lá" ainda não chegou, comemoremos pelo "cá". Vivamos um dia após o outro, cada momento, sem desperdiçar as lições, as alegrias, o valioso ensinamento da vida. Não precisa desesperar. Afinal, o lá sempre estará nos esperando, quietinho...Dessa vez não deu? Bola prá frente! Vamos devagar, step by step, e quer saber? Pode até ser devagar mas é prá lá que eu vou.